Nossa Igreja
Ordenanças
Jesus estabeleceu duas ordenanças – o Batismo e a Ceia do Senhor. Estas duas ordenanças retratam de forma visível grandes verdades bíblicas. As ordenanças de Jesus nos são transmitidas através da Bíblia e é dela que ganham a sua autoridade.
Batismo
O batismo nos aponta para duas verdades principais: a primeira é a de Cristo que morreu em nosso lugar. Leiamos 1 Cor. 15: 3-4. O novo convertido que submerge nas águas retrata Cristo, que morreu por nossos pecados. Há uma simbologia expressa no Batismo: sua permanência momentânea dentro das águas, totalmente submerso, nos fala do sepultamento de Cristo; E ao emergir das águas demonstra a ressurreição de Cristo.
O batismo é em primeiro lugar a declaração pública de que se crê que Jesus morreu por nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia.
Em segundo lugar, o batismo, retrata também a nossa libertação do pecado e a nossa união com Cristo. O crente batizado ilustra as seguintes verdades:
- Ele foi crucificado com Cristo. Rm. 6: 6; Gl. 2: 20
- Ele foi sepultado e ressiscitado com Cristo. Cl. 2: 12
- Ele anda em novidade de Vida. Rm. 6: 4
O batismo cristão é retratado nas seguintes palavras: “Todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes” (Gl. 3: 27). O batismo cristão parece remontar a um costume judaico anterior a João Batista. Estava ligado a um ritual de purificação. Hoje, serve de testemunho público de que o crente já aceitou a Jesus como Salvador e deseja segui-lo integralmente na comunhão de uma congregação cristã. O batismo representa a confissão de fé pública de adesão a Cristo.
O líder espiritual da Igreja preside a cerimônia e batiza o candidato. Este rito só ocorre uma vez na vida do crente. Porém para ser válido e reconhecido na Igreja Batista, ele deve ocorrer com pessoas convertidas (regeneradas), cientes do compromisso que o representa, fazê-lo apenas em ato de obediência e de livre vontade.
Quanto as formas, a Igreja Batista reconhecem e pratica o batismo por imersão. Fazemos isso por dois motivos: a palavra batismo no grego significa literalmente mergulho; e somente o batismo por imersão representando de modo claro a morte, sepultamento e a ressurreição em Cristo.
Existe o batismo por aspersão que é praticado por outras Igrejas Evangélicas. Esse batismo consiste em derramar água na cabeça do candidato.
Desenvolveu-se através da Igreja Católica o pensamento que o batismo era essencial para a salvação. Por isso aconteceu de começar a batizar crianças que é algo que a Igreja Batista não faz.
Para a Igreja Batista o batismo só pode ser ministrado àqueles que já se converteram e deram pública confissão de fé. A criança em sua inocência não sabe ainda discernir entre o bem e o mal, embora a semente do pecado esteja nela, ela ainda não deu fruto.
Outro preceito da Igreja Batista é que batismo não salva, ele é apenas um ato de obediência e manifestação visível do que aconteceu no coração do candidato. Se o batismo não simbolizar a conversão de uma pessoa, esse mesmo ato não teve valor nenhum. O ladrão na cruz foi salvo sem ter sido batizado. Ele não teve tempo hábil para isso. Então o batismo não é essencial para a salvação. Então por que batizamos? Por um ato de obediência à ordenança de Jesus em Mt. 28: 19-20.
Uma outra dúvida que surge é em relação ao batismo de Jesus. Por que ele foi batizado? Sabemos que ele não tinha pecado algum, não tinha do que se arrepender, mas mesmo assim fez questão de ser batizado. Jesus foi o grande modelo a exemplo que devemos seguir. Ele mesmo disse: “Eu vos dei o exemplo para que assim como eu fiz vós façais também (Jo. 13: 15)”. Outra coisa que o batismo de Jesus prova é a sua total identificação com os homens a quem Ele deveria salvar.
Ceia do Senhor
Depois do Batismo a pessoa se torna membro da Igreja e nessa condição ela pode participar da Ceia do Senhor, que é um memorial onde “trazemos” a memória duas verdades importantes do evangelho: o sacrifício de Jesus e o seu retorno à terra.
A Ceia do Senhor foi instituída durante as festividades da páscoa judaica. A Páscoa era uma cerimônia que relembrava a libertação dos judeus da escravidão do Egito. Essa cerimônia tinha como ponto central o sacrifício de um cordeiro que era servido junto com ervas amargas. O sangue do cordeiro era passado nas ombreiras das portas e janelas. Todos os que saíram do Egito se alimentaram da Páscoa, e a posteridade recebeu a incumbência de celebrar a Páscoa e assim relembrar a noite que foram libertos do Egito.
A Bíblia diz que Jesus na noite em que foi traído, estava celebrando a Páscoa com seus discípulos e durante a cerimônia tomou o pão e o cálice e instituiu a Ceia do Senhor como um memorial de seu sacrifício que deveria ser praticado até que Ele volte.
As duas cerimônias em primeira instância são memoriais. Elas lembram um fato ocorrido e o celebram. A Páscoa para os judeus e Ceia do Senhor para os cristãos evangélicos representam a espera de uma libertação futura. Poderíamos dizer que a Ceia se coloca entre o passado e o futuro, entre o já e o ainda não (Reino dos céus), entre a morte de Jesus e o seu retorno para nos levar aos céus.
O texto básico para esse assunto é 1 Co. 11: 17-34. Nele podemos ver que:
- A Ceia do Senhor foi instituída por Jesus, basta ver o verso 23, aponta que na noite de quinta feira de Páscoa, antes de ser preso, Jesus foi com seus discípulos a uma casa e ali fez a refeição pascal, um pouco depois ele instituiu a sua própria Ceia;
- A ceia do Senhor é uma cerimônia memorial, os versos 24-25 mostram que a ceia serve de lembrança de recordação do sacrifício de Jesus na cruz. Aqui a fé protestante e a católica se diferem radicalmente. Enquanto para os protestantes a Ceia é um memorial, para os católicos a Comunhão é a renovação do sacrifício, onde o pão e o vinho se tornam (transubstanciação) corpo e sangue de Jesus, que na missa é sacrificado novamente.
- A Ceia do Senhor é a proclamação da morte de Jesus. O verso 26 deixa claro que cada vez que celebramos a Ceia estamos anunciando a morte de Jesus até que Ele venha.
- A Ceia do Senhor é a proclamação da nossa esperança na volta de Jesus. O mesmo verso 26 afirma que a Ceia é a proclamação da morte até que Ele venha.
Então como já pôde ser observado anteriormente, o elemento da Ceia são o pão e o vinho. Um representando o corpo de Jesus e outro o seu sangue. E por que esses símbolos?
O pão representa o corpo de Jesus que de acordo com Isaías 53 recebeu todo o castigo pelos nossos pecados. Participando da Ceia os cristãos testificam a si mesmo, aos outros e a Deus, que seus pecados foram castigados em Jesus, e que aceita a morte de Jesus como substituta à sua própria condenação. A Bíblia também diz que sem sangue não há remissão dos pecados (Hb. 9: 22), que o sangue representa a vida (Lv. 17: 11), logo toda alma que pecar morreria (Ez. 18: 20). Jesus se tornando homem foi o único sem pecado, sendo inocente, morreu no lugar dos pecadores. Seu sangue foi oferecido a Deus em sacrifício agradável através do qual nossos pecados foram remidos.
Quando um cristão toma o pão e o vinho declara a sua fé na obra salvadora de Jesus, que seus pecados foram perdoados pelo sacrifício de Jesus e sua salvação não vem de si próprio, mas de Jesus.
As formas de celebrar a Ceia são diversas cabendo a cada igreja decidir quais se aplicam à sua maneira de viver a fé. As maneiras de celebrar a ceia são ULTRA RESTRITA que só é servida aos membros da Igreja local; a RESTRITA onde se servem apenas os membros de uma mesma denominação; a LIVRE que permite a participação de todos os cristãos evangélicos batizados; e a ULTRA LIVRE que permite a participação de qualquer pessoa. Aqui na PIB Central nós praticamos a LIVRE.
Como participar da Ceia? A Ceia é uma ocasião para um auto exame, refletindo sobre nossos pecados e a necessidade de pedir e conceder perdão. Os versos 27-34 nos ensinam muito sobre isso. A Ceia não é um sacramento, ou seja, não confere bênção, mas a participação irreverente pode trazer para o cristão alguns problemas tais como juízo e condenação, e a disciplina de Deus.
Poderíamos dizer que o batismo é a matrícula no discipulado de Jesus e a Ceia a lista de presença.
Dízimo e Ofertas
Dízimo é uma prática que as igrejas adotam como meio de recolher contribuições para o sustento de seu trabalho. O dízimo consiste em dedicar a Deus, através da igreja, dez por cento de toda a renda. A base para essa prática está no AT (Gn. 14: 17-20; Lv. 27:30, 32; Ml. 3: 10).
O importante é não fazer do dízimo uma Lei de maneira que quem deu seu dízimo pense que não tem mais nada a fazer e quem não pode dar o dízimo achar que não pode contribuir com nada. O dízimo é um bom referencial quando tudo está bem, tanto conosco quanto com a nossa comunidade. Mas quando as coisas apertam, tanto para nós quanto para nossa comunidade, temos que nos adaptar à nova situação. Quando a situação aperta para nossa comunidade, se podemos, devemos dar mais que o dízimo. Quando é a nossa situação que aperta e não podemos dar o dízimo, podemos então ofertar dentro de nossas possibilidades.
Nós como batistas cremos na mordomia, e uma vez que entregamos as nossas vidas a Cristo, logo tudo que possuímos também se encontra sobre o Seu senhorio. Entendemos que todas as coisas pertencem ao Senhor, e como mordomos somos colocados a administrar, contudo precisamos com constância buscar direção do Senhor na maneira que empregamos o dinheiro. Somos chamados a sermos bons administradores daquilo que Ele nos confia, assim o endividamento que pode fazer com que a nossa contribuição seja limitada deve ser o acidente de percurso e não uma prática.
No N.T. não encontramos menção aos “dízimos”, mas sim as “ofertas”. Encontramos também uma série de princípios para a contribuição, fundamentado no Espírito de Cristo, porém o fazemos com espírito voluntário e sacrificial.
O texto de 2 Coríntios capítulos 8 e 9 não são um tratado sobre o sustento da Obra do Senhor, mas contém os princípios que devem ser observados pela igreja nesta manifestação de amor e reconhecimento. Quais são estes princípios?
1-A contribuição é voluntária e espontânea. 8: 1-4; 9: 5
O impulso de ofertar nasce da gratidão de reconhecer que dá porque já recebeu de Deus, e buscando encontrar semelhança em Deus, já que o servimos, que ao Deus amar Ele deu o seu melhor a humanidade, sendo esta oferta a vida do Seu Filho Jesus Cristo. Desta experiência brota o desejo de servir, não apenas com nossos bens, mas também com nossas vidas. Quando somos capazes de assim enxergar não há regras que limitem nossa capacidade de dar exceto o limite de nossos próprios bens.
2-A contribuição é sacrificial. 8: 5-6; 8: 10-12
Antes da contribuição aqueles crentes deram-se a si mesmos ao Senhor. A contribuição é espontânea, mas também sacrificial, ou seja, vai até o limite de nossas posses. A contribuição sacrificial não é fruto de um cálculo de possibilidades econômicas, mas do desejo veemente de suprir a necessidade existente.
3-A contribuição é centrada na alegria. 8: 2; 9: 7
Quantas contribuições foram invalidadas pela falta de alegria do contribuinte, elas foram bênçãos para quem recebeu, mas não para quem deu.
A alegria no ato de contribuir precisa trazer paz para quem pratica, e alegria nasce da espontaneidade, a obrigação não gera alegria. Só contribuímos e ainda nos sentimos alegres quando o ato de contribuir é mais importante para nós do que para quem recebe. A contribuição cercada de alegria é a melhor prova que nos identificamos com a obra e os propósitos de Cristo e sua igreja. Alegria faz com que o ofertante não se sinta diminuído, mas, um canal de Deus para suprir necessidades e abençoar. Contudo, grande alegria encontra-se no fato de que: “Mais bem-aventurado é dar do que receber” (At. 20: 35b).
4-A contribuição no N.T. deve ser regida por alguns conceitos:
a) contribuir o que propõe no coração, de acordo com um mordomo que se coloca na presença de Deus e procura Nele a direção do quanto contribuir, visto ser Dele o dinheiro que administramos, não se limitando a uma conta matemática.
b) deve ser a expressão de nossa gratidão, por podermos viver do nosso trabalho.
c) deve atender as necessidades dos pobres e necessitados.
d) devem servir para sustentar aqueles que servem doando sua vida a comunidade e aos santos.
e) deve expressar a alegria de viver e traduzir o expresso reconhecimento da soberania de Deus. A contribuição não passa de um retorno.
f) não é de forma alguma uma obrigação, mas deve ser humilde e sacrificial.
Como cristãos entendemos que é nossa responsabilidade manter a nossa igreja e é tanto moral quanto espiritualmente correto que aqueles que podem contribuam para que a casa de Deus tenha sempre toda a suficiência. Entendemos que a igreja é a extensão dos nossos lares, pois somos uma família, logo a prosperidade dos nossos lares deve refletir na prosperidade da igreja, assim como a prosperidade da igreja, refletir em nossos lares, pois sabemos que ao ofertarmos, o Deus gracioso continua a nos abençoar, e na medida das nossas entregas somos abençoados, e isso não deve ser a nossa motivação, mas é algo decorrente da graça de Deus.